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Como todo garoto que adora jogar futebol, este cidadão que vos escreve também foi peladeiro, boleiro e um pouco perna de pau, mas entre tantos outros adjetivos, tinha um sonho. Queria ser jogador de futebol.
Bom zagueiro, alto, técnica apurada. Nossa!!! Eu era o jogador ideal para substituir a geração que foi Tricampeão Mundial na Copa do Mundo de 1970, com Pelé, Rivellino, Tostão, Gerson, Jairzinho… Afinal de contas o Mundial de 74 estava próximo. Que maravilha!!!
Sonho a vista, então vamos à luta.
Por volta dos 11 ou 12 anos, a primeira dividida. E que paulada!!! Essa doeu!!!
A primeira oportunidade aconteceu no início dos anos 70. Estádio Conde Rodolfo Créspi, mais conhecido como Rua Javari. A tão sonhada chance apareceu no glorioso Clube Atlético Juventus.
A popular peneira, estava marcada. Mais ou menos 50 garotos prontos para o grande teste.
O treino até foi bom, mas comecei a perceber que as minhas habilidades não eram tão bem apuradas quanto imaginava, e que eu jogava bem menos que pensava. O técnico ainda me dizia: “vai levar a bola pra casa é?… passa a bola, seu fominha” ou “esporte é coletivo… aprende uma coisa: ninguém faz nada sozinho”. Não me contive e num determinado momento mandei ele tomar naquele lugar. Imediatamente, este craque de primeira linha foi convidado a se retirar do gramado, ou melhor, expulso de campo. O técnico, até foi bem legal. Falou que eu era bom pra caramba, tinha futuro, mas que eu não estava numa tarde muito inspirada.
Agradeceu, e pediu carinhosamente para eu nunca mais voltar.
E assim, sucessivamente as coisas se repetiram na Ponte Preta em Campinas, no Santo André, na Portuguesa …E a carreira que mal havia começado já estava encerrada.
Certo de que o Brasil tinha acabado de perder o jogador que poderia ser o maior craque de todos os tempos decidi que quando crescer ia ser jornalista esportivo.
Eu até comentei com meu pai e minha mãe, mas como mãe é mãe, e nunca fala não, ela apenas disse: Meu Deus!!!!
Os anos se passaram e em meados dos anos 80 me formei em jornalismo. Por obra do destino comecei a trabalhar em TV e produtoras de vídeo. Num desses trabalhos começamos a produzir um vídeo sobre escolinhas de futebol, já que estávamos a poucos meses do início da Copa do Mundo de 1990. Fizemos o nosso documentário com base nos treinamentos dos Pequeninos do Jockey, uma tradicional escolinha de futebol que anualmente levava garotos dos 10 aos 15 anos para disputar torneios de verão na Europa. Entre uma gravação e outra tivemos contato com uma equipe de veteranos que havia sido convidada para disputar alguns torneios na Finlândia e também na extinta União Soviética.
O fato me pareceu curioso. Nem tanto para a produção do documentário, mas para uma possível satisfação pessoal. Pensei: Já imaginou eu jogando na União Soviética? A minha chance é agora!!!!
Conversei com o técnico…. Falei da minha precoce carreira de jogador de futebol que nem havia acontecido, e fui convidado a treinar com os “velhinhos” de mais de 30 anos.
Foram pouco mais de quatro meses de treinos e cada vez que eu pegava na bola, aquela mensagem de anos atrás vinha na minha cabeça: ESPORTE É COLETIVO!!! NINGUÉM FAZ NADA SOZINHO!!! NÃO MANDA NINGUÉM TOMAR NAQUELE LUGAR!!!
Valeu a pena. Viajamos boa parte da Europa, não ganhamos nada e tomei um fogo de vodka na União Soviética. Fui afastado do time mas voltei feliz.
Mais alguns anos se passaram e agora me vejo onde? Correndo!!! Mas correr pra que? Correr pra onde?
Eu não tinha a mínima idéia. A brincadeira começou em agosto de 2008, quando o nosso colega de treino e amigo de trabalho, Carlos Mateus, me incentivou para deixar um pouco a esteira da academia de lado e participar dos 9 km da Corrida Bovespa no Centro Histórico de São Paulo. No inicio achei a idéia do nosso querido amigo um tanto quanto absurda e quase mandei ele tomar naquele lugar. Ainda citei uma velha frase de um colega que trabalha com a gente na TV, o Giba. “Correr é coisa pra cavalo”. Passaram-se alguns dias, pensei… pensei e resolvi aceitar o desafio. Quando terminei a prova, eu mal havia percebido que tinha acabado de ser picado pelo que costumamos falar “mosquito da corrida”. A partir daquele dia comecei a participar de varias provas, até que no início do ano passado, por intermédio do próprio Carlão, conheci o Wanderlei de Oliveira e todos os amigos da Run For Life. A partir daí todos já sabem o que poderia acontecer. Treinos e mais treinos, rodagens, orientação, cobrança, avaliação, determinação, desafios e muita corrida.
Motivado, porém sem muita noção do que estava fazendo, resolvi participar pela primeira vez de uma meia maratona. Um verdadeiro tiro no escuro.
Seguindo as ordens do nosso exigente treinador, tentei fazer uma preparação quase perfeita com alimentação correta, hidratação e descanso. Um dia antes da prova, tudo já estava pronto. Tênis, shorts, meias, boné e dinheiro no bolso para voltar de táxi, porém um churrasco na casa de alguns amigos na noite de sábado me deixou um pouco preocupado. O dia amanheceu rápido e lá vou eu para a XI Meia Maratona Internacional da Corpore.
Preocupado no início e feliz no final. “O percurso foi feito em 2h12’18”. Seguindo rigorosamente as dicas do nosso colega Wilson, fui com detalhes observando a paisagem. Segundo ele, a prova passaria bem mais rápida. E passou mesmo. Quero agradecer também a Solange, Verinha e a Kelly nos treinamentos feitos na Serra do Mar. À Patrícia, que me ajudou a superar aquela quase interminável subida em Campos do Jordão, ao Dodô pela experiência que faz a gente aprender sempre a cada corrida,
Ao Dr. Pimentel, que não me abandonou e foi o primeiro a me socorrer e me medicar na fratura por stress. Ao Rubão, às meninas da PM e a todo o pessoal que treina de noite comigo. Aos speeds da manhã, que a cada treino me fazem ter a ilusão que um dia poderei chegar mais perto deles, e à turma que vem logo atrás e me obriga a correr mais porque sei que no final de cada treinamento estão chegando ao meu lado.
Agradeço também ao Wanderlei pela atenção, dedicação, paciência e por me fazer voltar no passado e mostrar que, como toda modalidade esportiva, correr também é um esporte coletivo e que ninguém faz nada sozinho.
Mais uma vez obrigado a todos. Os meus méritos serão sempre divididos com vocês.
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* Milton Egydio Pagano (o Magrão), 48, jornalista, foi professor da Faculdade Metodista de 1989 a 1991. É editor de texto da TV Gazeta desde 1997.
Isso tudo é só o começo meu caro! Parabéns pela mudança de vida, pela coragem de largar o cigarro e abraçar a corrida, pela dedicação nos treinos e nas provas. Um abraço!
Parabéns Magrão!!!!!! Ainda bem q vc optou pelo jornalismo e pela corrida do q pelo futebol senão vc seria mais ex-jogador chato comentando os jogos nos domingos à noite…rs.
A barreira da Meia vc já ultrapassou, agora é traçar novos objetivos e se divertir!!!! Bjos.
Ei Magrão, que história bacana! E vamos lá, não dá moleza, se não eu e a turma do fundão atropelamos você!
Ah magrão vou mandar você ir tomar naquele lugar … brincadeira … Excelente história!
Abraço !!
magrâo você ja foi tomar no?hoje brincadeirinha parabens carinha
vamos em frente que atràs vem uma multidâo.
um abraço.